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Fim das Dras de Circo na Estética: Mercado Rejeita Ostentação Fake e Bolsas Alugadas

Fim das Dras de Circo na Estética: Mercado Rejeita Ostentação Fake e Bolsas Alugadas

Ostentação na estética e a queda das Dras de circo
Imagem ilustrativa. Foto da internet.

A estética vive um momento de ruptura. Aquilo que por anos foi tratado como sinônimo de sucesso — luxo exagerado, ostentação em eventos e um lifestyle cuidadosamente encenado — começa a perder força diante de uma realidade cada vez mais evidente: aparência não sustenta clínica, não paga contas e não constrói autoridade profissional.

O mercado está mudando, e com ele cai o prestígio das chamadas “Dras de circo” — profissionais que transformaram congressos, jantares e eventos científicos em palcos de exibição, muitas vezes sustentados por bolsas alugadas, roupas emprestadas, carros financiados e uma imagem desconectada da prática clínica real.

Ostentação não é sucesso: especialistas desmontam o mito

Consultores, economistas da saúde e gestores de clínicas são unânimes ao afirmar que a estética performática não se sustenta no longo prazo.

“O mercado amadureceu. Hoje, ostentar não impressiona mais — pelo contrário, gera desconfiança. Sucesso real é previsibilidade financeira, agenda cheia e paciente satisfeito”, afirma a consultora em gestão de clínicas Drª Ana Beatriz Lopes.

“Bolsas alugadas e carros de luxo não são indicadores de competência. Muitas vezes escondem endividamento e falta de estrutura empresarial”, destaca o economista da saúde Prof. Marcelo Duarte.

“Autoridade na estética vem de técnica, atualização e resultado clínico. Aparência não reduz riscos nem melhora desfechos”, reforça a pesquisadora em dermatologia estética Drª Camila Reis.

A cultura da ostentação e o endividamento silencioso

Dados de consultorias financeiras especializadas no setor indicam que mais de 45% das profissionais da estética apresentam algum nível de endividamento, grande parte motivado por decisões financeiras ligadas à imagem e não à operação do negócio.

Alugar bolsas de luxo para eventos, investir em looks caros para fotos e manter uma rotina de viagens internacionais virou, para algumas, uma tentativa de pertencimento social — não uma estratégia profissional.

“A ostentação virou um mecanismo de aceitação. Quem não ostenta sente que não pertence ao grupo, mesmo sendo tecnicamente excelente”, explica o psicólogo organizacional Rafael Moretti.

As Dras reais: mulheres trabalhadoras que sustentam o setor

Longe dos holofotes, existe a maioria silenciosa da estética: as Dras reais. Mulheres que trabalham todos os dias, estudam, atendem pacientes, cuidam da clínica, pagam impostos e levam sustento para casa.

“A doutora real não precisa aparecer. Ela constrói reputação no consultório, não no tapete vermelho”, afirma a gestora clínica Patrícia Nogueira.

“Essas profissionais não vivem de encenação. Vivem de trabalho, constância e responsabilidade com o paciente”, reforça a analista de mercado Luiza Carvalho.

“A estética é majoritariamente sustentada por mulheres trabalhadoras, não por personagens de internet. São elas que fazem o setor girar”, destaca o mentor de negócios em saúde Rodrigo Santana.

As Dras de circo e o efeito HOF

Grande parte das Dras de circo está associada ao chamado efeito HOF (High Ostentation Fiction) — quando a renda principal não vem da estética, mas de famílias ricas, maridos empresários ou negócios paralelos altamente lucrativos.

Essa distorção cria referências irreais para quem depende exclusivamente da clínica para viver, alimentando frustração e comparações injustas.

“Quando a exceção vira vitrine, a regra se sente fracassada. Isso é socialmente nocivo para o setor”, analisa o pesquisador de mercado Lucas Mendonça.

O mercado mudou — e a estética também

Pacientes estão mais atentos, mais críticos e menos impressionáveis. Pesquisas de comportamento mostram que confiança, empatia e resultado superam qualquer ostentação visual.

A estética entra em uma nova fase: mais madura, mais técnica e mais conectada à realidade.

“O espetáculo perdeu força. O futuro da estética pertence a quem trabalha de verdade”, conclui a consultora Marina Albuquerque.

O recado é claro: o tempo das bolsas alugadas está acabando — e o trabalho real volta a ocupar o centro do palco.

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