ECONOMIA

‘Todos vamos pagar um pouco do prejuízo do caso Master’, diz economista

A liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central, expôs um dos maiores rombos já vistos no sistema financeiro brasileiro recente e acendeu um alerta sobre quem, na prática, paga a conta quando uma instituição desse porte quebra. Para especialistas, o episódio é um exemplo clássico de “lucros privatizados e prejuízos socializados” – e, como resumiu um economista, “todos vamos pagar um pouco do prejuízo do caso Master”. [oai_citation:0‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

O que aconteceu com o Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar uma série de irregularidades e problemas de solvência. Pouco antes disso, o presidente-executivo da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente sob acusação de fraude bilionária contra o sistema bancário. Segundo as investigações, o banco teria adotado uma estratégia agressiva, oferecendo CDBs com remunerações muito acima da média de mercado e direcionando recursos para ativos de alto risco e baixa liquidez. [oai_citation:1‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

De acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cerca de R$ 41 bilhões em depósitos do Master estão cobertos pelo mecanismo de proteção a investidores, envolvendo aproximadamente 1,6 milhão de aplicadores. O resgate dessa quantia deve consumir cerca de um terço do caixa do FGC, tornando-se a maior operação de salvamento da história do fundo. [oai_citation:2‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

Por que “todos vamos pagar um pouco” desse prejuízo

O FGC é uma entidade privada mantida pelos próprios bancos, que contribuem com uma pequena taxa sobre depósitos elegíveis (como poupança, CDBs, LCIs e LCAs). Porém, na prática, esse custo é repassado aos clientes na forma de juros um pouco menores nas aplicações ou tarifas mais altas.

É por isso que economistas afirmam que, embora o dinheiro saia formalmente do caixa dos bancos, quem sustenta o sistema é o conjunto de investidores e correntistas. Em outras palavras, quando o FGC precisa fazer um resgate gigante como o do Master, a conta tende a ser distribuída ao longo do tempo entre todos os clientes do sistema financeiro, por meio de remunerações menores e condições menos vantajosas. [oai_citation:3‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

Além disso, para recompor o caixa após uma operação tão grande, o FGC pode exigir novos aportes das instituições financeiras, que novamente devem ser compensados com ajustes em produtos bancários. Dessa forma, mesmo quem nunca aplicou um centavo no Banco Master acaba, indiretamente, contribuindo para tapar o buraco.

Falhas de supervisão e o papel do Banco Central

Especialistas também apontam que o episódio expôs fragilidades na supervisão do sistema financeiro. O Master vinha crescendo em ritmo acelerado, com balanços que já indicavam desequilíbrios e riscos elevados bem antes da quebra, além de depender de um perfil de captação caro, baseado em juros muito acima do mercado. [oai_citation:4‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

Críticos argumentam que a intervenção poderia ter ocorrido mais cedo, reduzindo o tamanho do prejuízo. Por outro lado, defendem que, apesar da demora, a ação do Banco Central evitou que o problema se alastrasse para o restante do sistema, o que poderia ter provocado uma crise sistêmica com impactos ainda maiores.

O que pode mudar após o caso Master

Depois da liquidação, o debate se concentra em possíveis mudanças em duas frentes principais:

  • Regulação bancária mais rígida: endurecimento das regras de capital, limites de alavancagem e monitoramento de instituições que crescem rápido demais ou oferecem retornos fora do padrão;
  • Regras do FGC: discussão sobre redução do teto de garantia (hoje em R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição) ou limitação da cobertura apenas ao valor principal, excluindo parte dos rendimentos, para diminuir o risco moral e os incentivos a apostas arriscadas. [oai_citation:5‡Brasilagro](https://www.brasilagro.com.br/conteudo/todos-vamos-pagar-um-pouco-do-prejuizo-do-caso-master-diz-economista.html?utm_source=chatgpt.com)

Qualquer mudança, porém, precisa equilibrar a proteção ao pequeno investidor com a necessidade de evitar que bancos assumam riscos exagerados contando com o “colchão” do FGC.

O recado do caso Master para o investidor comum

Para o investidor pessoa física, o caso Master deixa alguns alertas claros:

  • Rendimento muito acima da média sempre merece desconfiança – se um CDB paga bem mais do que concorrentes do mesmo porte, é sinal de que há risco extra envolvido;
  • Diversificação é fundamental – concentrar grande parte do patrimônio em um único banco, mesmo com cobertura do FGC, aumenta a exposição a transtornos e incertezas;
  • FGC protege, mas não faz milagre – há limites de cobertura, prazos e burocracias, e casos extremos podem pressionar todo o sistema.

Enquanto autoridades discutem ajustes na regulação e na estrutura do FGC, uma certeza já se firmou: o rombo do Banco Master não ficará apenas com acionistas e administradores. Em maior ou menor grau, o custo será diluído entre bancos, investidores e correntistas – daí a avaliação de que “todos vamos pagar um pouco do prejuízo do caso Master”.

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