ECONOMIA

Black Friday: de onde vem esse nome e outras 9 curiosidades sobre a data

A Black Friday virou sinônimo de desconto, corrida às compras e páginas de promoção piscando por todos os lados. Mas você sabe de onde surgiu esse nome? E como essa data, que começou nos Estados Unidos, acabou se tornando um dos eventos mais importantes do varejo brasileiro?

A seguir, explicamos a origem do termo e trazemos 9 curiosidades sobre a Black Friday que ajudam a entender por que ela movimenta tanto dinheiro – e também tanta polêmica.

1. De onde vem o nome “Black Friday”?

O termo “Black Friday” começou a ser usado nos Estados Unidos para se referir à sexta-feira logo após o feriado de Ação de Graças (Thanksgiving). Uma das versões mais aceitas diz que policiais da Filadélfia, nos anos 1960, passaram a chamar esse dia de “black” por causa do caos no trânsito e das multidões que iam às lojas para aproveitar promoções e jogos de futebol americano no fim de semana.

Com o tempo, o nome “Black Friday” deixou de ser uma gíria local e passou a ser adotado pelo varejo em todo o país para marcar o início extraoficial da temporada de compras de Natal.

2. Da “sexta caótica” ao dia em que as lojas saem do vermelho

Outra explicação popular é que a Black Friday seria o dia em que as empresas finalmente saem do vermelho (“red”) e passam para o preto (“black”) nos balanços contábeis, ou seja, deixam o prejuízo para trás e entram na fase de lucro graças ao volume de vendas de fim de ano.

Mesmo que a origem exata do nome seja debatida, a associação com grandes lucros e estoques esvaziados ajudou a consolidar o termo no mundo inteiro.

3. A data começou nas lojas físicas – e era sinônimo de empurra-empurra

Antes da explosão do comércio eletrônico, a Black Friday era dominada por filas enormes na porta das lojas e cenas de empurra-empurra para aproveitar promoções limitadas. Consumidores madrugavam na frente de grandes redes, esperando as portas abrirem para correr atrás de TVs, eletrônicos e brinquedos com desconto.

Muitos vídeos de tumultos e brigas em lojas norte-americanas viralizaram ao longo dos anos, reforçando a fama da Black Friday como um dia de “loucura” do consumo.

4. O comércio eletrônico transformou a Black Friday

Com a popularização das compras online, a Black Friday ganhou uma nova cara. Hoje, muitas promoções começam dias antes, seguem até a chamada Cyber Monday (segunda-feira dedicada ao e-commerce) e, em alguns casos, se estendem pela semana inteira – a famosa “Black Week”.

No Brasil, o digital é tão importante que boa parte do faturamento da data já vem de sites, apps e marketplaces, com consumidores pesquisando preços e comparando ofertas em tempo real.

5. Black Friday no Brasil: da desconfiança ao megaevento

A Black Friday chegou ao Brasil por volta de 2010. No começo, a data enfrentou muita desconfiança, com a fama de “tudo pela metade do dobro”, quando lojas inflavam preços antes de aplicar supostos descontos.

Com o passar dos anos, pressão de consumidores, atuação de órgãos de defesa do consumidor e sistemas de monitoramento de preços ajudaram a tornar a data mais séria. Hoje, a Black Friday é um dos períodos de maior faturamento do varejo nacional, especialmente para eletrônicos, moda, beleza, viagens e serviços.

6. Não é só desconto: é estratégia para limpar estoque

Para o varejo, a Black Friday não é apenas um dia de “presentear” o consumidor com preço baixo. A data também é usada para:

  • queimar estoques de produtos encalhados ao longo do ano;
  • abrir espaço para lançamentos e itens de Natal;
  • atrair novos clientes e cadastrá-los em bancos de dados e programas de fidelidade;
  • aproveitar o clima de consumo para vender não só produtos, mas também serviços, assinaturas e planos.

7. Nem só de preços vive a Black Friday

Em muitos casos, o consumidor não encontra apenas descontos diretos, mas também:

  • frete grátis ou frete reduzido;
  • cashback (parte do valor volta em créditos);
  • parcelamentos mais longos sem juros;
  • cupons exclusivos para compras futuras.

Essas estratégias fazem parte do pacote de sedução para estender o relacionamento com o cliente para além da data.

8. O outro lado da moeda: golpes e falsas promoções

A popularidade da Black Friday também atrai golpistas e empresas pouco transparentes. Entre as práticas mais comuns estão:

  • sites falsos que imitam grandes lojas para roubar dados de cartão;
  • promoções com “descontos” calculados sobre preços artificialmente aumentados antes;
  • ofertas que somem na hora de finalizar a compra;
  • estoque insuficiente ou prazos de entrega irreais.

Por isso, especialistas recomendam sempre pesquisar o histórico de preços, conferir a reputação da loja, desconfiar de promoções “milagrosas” e evitar clicar em links suspeitos enviados por e-mail, SMS ou redes sociais.

9. Black Friday também é dia de reclamação

Só no Brasil, a Black Friday costuma liderar rankings de reclamações em órgãos de defesa do consumidor e em sites especializados. As queixas mais frequentes envolvem:

  • propaganda enganosa;
  • divergência de preço;
  • produto que esgota depois que o cliente conclui o pedido;
  • atraso ou não entrega;
  • cancelamento unilateral de compras pelas lojas.

A boa notícia é que esse acompanhamento público de reclamações ajudou a profissionalizar a data: empresas sérias passaram a investir mais em transparência, planejamento de estoque e atendimento para não manchar a marca.

10. E o futuro da Black Friday?

Com a consolidação das vendas online, da omnicanalidade (integração entre loja física e digital) e do consumo por aplicativos, a tendência é que a Black Friday continue evoluindo. Cada vez mais, a data se transforma em um grande festival de ofertas que mistura:

  • descontos pontuais e agressivos;
  • campanhas de fidelização de longo prazo;
  • experiências personalizadas baseadas em dados de consumo.

Para o consumidor, o segredo continua o mesmo: pesquisa, planejamento e atenção. Quem se organiza, compara preços e foge de impulsos tende a fazer bons negócios. Já quem entra na onda sem olhar detalhes corre o risco de começar dezembro com a sensação de que o prejuízo foi maior do que o desconto.

No fim das contas, a Black Friday é um retrato perfeito do consumo moderno: ao mesmo tempo em que oferece oportunidades reais de economia, exige informação, cuidado e consciência para que o “dia de desconto” não acabe virando uma dívida de muitos meses.

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