Adolescência até os 30 anos e as quatro outras fases do cérebro durante a vida, segundo novo estudo
Um novo estudo internacional sobre desenvolvimento cerebral está mudando a forma como entendemos as fases da vida. Pesquisadores da Universidade de Cambridge analisaram quase 4 mil exames de cérebro de pessoas entre 0 e 90 anos e concluíram que o cérebro não amadurece de forma contínua, mas passa por cinco grandes “eras”, marcadas por quatro pontos de virada: aproximadamente aos 9, 32, 66 e 83 anos. [oai_citation:0‡University of Cambridge](https://www.cam.ac.uk/stories/five-ages-human-brain?utm_source=chatgpt.com)
A descoberta mais chamativa: do ponto de vista do cérebro, a adolescência vai dos 9 até cerca dos 32 anos. Ou seja, biologicamente falando, boa parte dos vinte e poucos anos ainda faz parte de um período de reorganização intensa das conexões neurais, e não de um “adulto pronto e acabado”. [oai_citation:1‡The Times](https://www.thetimes.com/uk/science/article/brain-pivotal-ages-phases-adolescence-d95h06l3c?utm_source=chatgpt.com)
As 5 “eras” do cérebro ao longo da vida
O estudo, publicado na revista Nature Communications, descreve cinco grandes fases da arquitetura cerebral, cada uma com funções e vulnerabilidades próprias. [oai_citation:2‡Nature](https://www.nature.com/articles/s41467-025-65974-8?utm_source=chatgpt.com)
1. Infância (0 a 9 anos): construção acelerada
Nos primeiros anos de vida, o cérebro passa por um crescimento intenso. É o período em que milhares de conexões são criadas e, aos poucos, “podadas” (a chamada synaptic pruning) para preservar apenas as mais usadas. [oai_citation:3‡Wikipedia](https://en.wikipedia.org/wiki/Synaptic_pruning?utm_source=chatgpt.com)
É nessa fase que se consolidam bases importantes para linguagem, coordenação motora, habilidades sociais e emocionais. A qualidade dos estímulos, do sono, da alimentação e do ambiente tem impacto direto nesse “projeto estrutural” do cérebro.
2. Adolescência estendida (9 a 32 anos): o cérebro ainda está “em obra”
Ao contrário da ideia clássica de que a adolescência termina no fim da puberdade, o estudo mostra que, estruturalmente, o cérebro continua em um modo adolescente até o início dos 30. [oai_citation:4‡People.com](https://people.com/adulthood-starts-32-study-turning-points-brain-ageing-11856435?utm_source=chatgpt.com)
Nessa etapa:
- as conexões entre diferentes regiões do cérebro ficam mais eficientes e rápidas;
- áreas ligadas a planejamento, controle de impulsos e tomada de decisão seguem em desenvolvimento;
- há grande sensibilidade a experiências sociais, estresse, uso de substâncias e ambiente familiar;
- é um período em que o cérebro é ao mesmo tempo muito plástico e muito vulnerável.
Os pesquisadores descrevem essa fase como uma época de “refinamento da fiação” do cérebro: ele vai testando caminhos, reforçando algumas rotas e descartando outras, até chegar a um padrão mais estável por volta dos 30 e poucos anos. [oai_citation:5‡Business Insider](https://www.businessinsider.com/human-brain-ages-at-four-major-turning-points-2025-11?utm_source=chatgpt.com)
3. Vida adulta (32 a 66 anos): estabilidade e eficiência
Por volta dos 32 anos, o estudo identifica a maior virada de todas: é quando o cérebro sai do modo de reorganização intensa e entra em uma fase de maior estabilidade estrutural. [oai_citation:6‡People.com](https://people.com/adulthood-starts-32-study-turning-points-brain-ageing-11856435?utm_source=chatgpt.com)
Entre os 32 e os 66 anos, em média:
- a inteligência e a personalidade tendem a ficar mais estáveis;
- as redes cerebrais se tornam mais compartimentalizadas (cada área faz melhor o que sabe fazer);
- há menor ritmo de mudança estrutural, embora o cérebro continue aprendendo e se adaptando.
É a fase mais longa e, do ponto de vista neurológico, aquela em que o cérebro opera “no modo adulto”, com equilíbrio entre eficiência e flexibilidade.
4. Envelhecimento inicial (66 a 83 anos): começo da curva de queda
Por volta dos 66 anos, o estudo identifica um novo ponto de virada: é quando começa, em média, um declínio gradual de conexões, especialmente na chamada substância branca, responsável pela comunicação entre diferentes regiões cerebrais. [oai_citation:7‡Business Insider](https://www.businessinsider.com/human-brain-ages-at-four-major-turning-points-2025-11?utm_source=chatgpt.com)
Isso não significa que, aos 66, o cérebro “despenca”, mas que se inicia uma fase em que:
- a velocidade de processamento pode diminuir;
- tarefas complexas podem exigir mais esforço;
- a vulnerabilidade a doenças neurodegenerativas aumenta.
Estilo de vida (sono, alimentação, atividade física, estímulo cognitivo) pode retardar ou acelerar esses efeitos.
5. Envelhecimento tardio (83+ anos): o cérebro se reorganiza para fazer o que dá
A partir dos 83 anos, os cientistas descrevem uma última era, em que o cérebro passa a depender mais de algumas regiões específicas, com menos comunicação global entre diferentes áreas. [oai_citation:8‡Business Insider](https://www.businessinsider.com/human-brain-ages-at-four-major-turning-points-2025-11?utm_source=chatgpt.com)
É como se o cérebro “enxugasse” a rede e concentrasse recursos nos circuitos que ainda funcionam melhor. Isso se reflete em:
- maior risco de perdas de memória e atenção;
- mais dificuldade em multitarefas;
- necessidade de rotinas, repetições e apoio externo.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas nessa faixa etária mantêm habilidades sociais, emocionais e de sabedoria prática bem preservadas, justamente porque essas funções se apoiam em redes que seguem operando, mesmo em um cérebro mais “enxuto”.
O que muda na nossa ideia de adolescência e maturidade
Ao mostrar que o cérebro continua em um modo de reorganização até os 30 e poucos anos, o estudo reforça algo que muitos já percebiam na prática: a transição para a vida adulta é mais longa do que se pensava. [oai_citation:9‡The Times](https://www.thetimes.com/uk/science/article/brain-pivotal-ages-phases-adolescence-d95h06l3c?utm_source=chatgpt.com)
Isso tem implicações importantes:
- Saúde mental: fases como faculdade, início de carreira e saída da casa dos pais coincidem com um cérebro ainda em forte transformação, o que ajuda a entender por que tantos transtornos mentais emergem entre o fim da adolescência e os 30 anos.
- Educação e trabalho: investir em formação, apoio emocional e orientação profissional nessa faixa etária não é “mimar adulto”, mas acompanhar uma etapa ainda crucial do desenvolvimento cerebral.
- Pressão social: a ideia de que “aos 18 você tem que saber tudo da vida” não faz sentido do ponto de vista neurológico.
Por que entender as fases do cérebro importa
Segundo os pesquisadores, mapear essas “eras” do cérebro pode ajudar a:
- identificar janelas de maior vulnerabilidade a doenças mentais e neurológicas;
- planejar melhor políticas de saúde pública, educação e envelhecimento ativo;
- orientar famílias, escolas e profissionais sobre o que esperar de cada fase;
- reduzir a culpa individual e o estigma em relação a períodos de crise ou mudança.
No fim, a mensagem central do estudo é clara: o cérebro humano é um órgão em constante transformação. A adolescência, ao que tudo indica, não termina simplesmente com o fim da puberdade — ela se estende até o começo dos 30. E, mesmo depois disso, ainda há muito acontecendo dentro da nossa cabeça, em todas as fases da vida.
